Domingo, 8 de Outubro de 2017

Histórias Incríveis: Dondinho, pai de Pelé, fez 5 gols de cabeça... num jogo

pele-trescoracoes-alliatti-gcom-1.jpg

Para o lateral não se consagrar, tinha que ser de uma ruindade suprema - o perna de pau em estado bruto. Só assim. Porque era fácil, fácil: só fechar os olhos e mandar na área. Não havia bola suficientemente alta para driblar o impulso de João. Não havia zagueiro parrudo o bastante para controlar João Ramos. Não havia goleiro ousado a ponto de disputar pelo alto com João Ramos do Nascimento, um tal de seu Dondinho, craque de bola no final dos anos 30 e inicio dos 40, quando o interior de Minas Gerais parecia maior que o mundo. Ele tinha o posicionamento de mil Romários, dizem os exagerados. Tinha o cabeceio de mil Dadás, atestam as testemunhas de defesa de seu futebol. E fez o que nem  fez. Fez 5 gols de cabeça no mesmo jogo.

Quem garante? Um bocado de gente, incluindo o próprio Pelé, sempre que pode. E por que Pelé gosta de dizer isso? Porque Dondinho é o pai dele. Pois veja: Pelé fez mais de 1000 gols, ganhou 3 Copas, virou o maior de todos os tempos, conquistou o escambau. Mas não fez cinco gols de cabeça em um mesmo jogo. Nunca. Já Dondinho conseguiu. E talvez não tenha sido uma vezinha só, não. Há relatos de 2 jogos com uma mão cheia de cabeceios certeiros.

Dondinho andava inspirado naquela época. Em mais de um sentido... Enquanto empilhava gols, ele arrumava tempo para namorar. Resultado: sua esposa, dona Celeste, ficou grávida dele no início de 1940, meses depois de o artilheiro fazer cinco gols de cabeça em uma única partida. Em outubro daquele ano, em Três Corações, nasceria Edson, que depois viraria Pelé.

Eram tempos de amadorismo. Raros eram os jogadores que recebiam alguns trocados para jogar. Os principais atletas do interior mineiro pipocavam de clube em clube. Defendiam uma camisa, mas eram chamados para vestir outras e iam sem problemas, por mais que houvesse rivalidade local - geralmente, para disputar um ou outro jogo e depois voltar à equipe de sua cidade.

Dondinho era o maior astro. Recebia convites o tempo todo. E abria exceções em seu coração, cujo maior afeto era dividido entre o Atlético de Três Corações e o Vasco de São Lourenço. Um assédio comum era do Yuracan, de Itajubá. Na cidade, ainda hoje com menos de 100 mil habitantes, raros eram os eventos que interessavam mais do que o clássico contra o Smart. Pois em 1939 Dondinho foi chamado para disputar a grande partida local.

Na época, ele já se banhava na fama de goleador - especialmente de cabeça. Os adversários bem sabiam quão perigoso ele era. Mas não adiantou. Mal começou o jogo, ele já fez o primeiro com a testa. E depois mais um. E outro. E outro mais. E um último. Cinco gols, todos de cabeça. Dondinho assombrava.

Há controvérsias sobre o placar da partida. O site oficial do Yuracan diz que foi 6 a 2. No filme "Pelé Eterno", aparece uma manchete de jornal com 6 a 3. Registros da imprensa da época e a passagem da história por gerações mantiveram a lenda viva. O próprio Dondinho gostava de se gabar do feito para Pelé. Dizia que o filho tinha feito de tudo, menos cinco gols de cabeça no mesmo jogo. O camisa 10 adotou a história. Gostava de manusear uma revista com a descrição do feito. No ano passado, quando foi entrevistado por Jô Soares, Pelé comentou a façanha do pai.

- Meu pai, o Dondinho, era muito conhecido, fazia muitos gols. O Dondinho foi o único jogador que fez 5 gols de cabeça num jogo. Foi meu pai. O único recorde de gols que o Pelé não quebrou foi esse - disse o tricampeão mundial.

As reportagens que Dondinho mostrava a Pelé, a foto resgatada na cidade, a história passada de boca a boca por 7 décadas, tudo isso dá respaldo a um episódio que não tem registro oficial, mas que entrou no imaginário do futebol. E com concorrência. Em Três Corações, onde Pelé nasceu, também se fala que Dondinho marcou 5 gols de cabeça. Mas com outra camisa, em outro jogo, contra outro adversário.

João Ramos do Nascimento nasceu em Campos Gerais (MG), em 1917. Na metade dos anos 30, rumou a Três Corações para servir no Exército. Fixou residência lá, em uma rua atualmente chamada Edson Arantes do Nascimento. Bom de bola, logo se tornou conhecido na cidade. Virou ídolo pelos gols que colecionou com a camisa do Atlético local (hoje chamado Atlético Tricordiano), uma paixão dos moradores do pequeno município.

Dondinho deixou Três Corações em 1943, rumo a São Lourenço, de onde depois iria para Bauru em 1945. Morreu em 1996, em Santos. Tinha 79 anos - e incontáveis gols de cabeça.

 

 

publicado por srgiodefreitas1965 às 23:56

link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Dezembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. UEFA SORTEIA JOGOS DAS OI...

. Grêmio disputa Mundial d...

. SÉRGIO GUEDES É O NOVO TÉ...

. GRÊMIO ENFIM É CAMPEÃO DA...

. PONTE CAI EM CAMPINAS E F...

. Entenda como o Santos, al...

. Em jogaço, Santos vence p...

. Vizeu faz golaço e Flamen...

. RENATO GAÚCHO: "ATÉ O STE...

. Brasil e Rússia farão jog...

.arquivos

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Fevereiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2008

blogs SAPO

.subscrever feeds